Vamos Falar sobre Obesidade - Abordagem geral
Começo este Blog pela definição de Obesidade, definição essa que estamos habituados a ouvir e que,
muitas vezes, nem sequer a compreendemos e a respeitamos devidamente.
Quantas vezes fazemos juízos de valor despropositados, criticamos o corpo e a atitude das pessoas que
sofrem desta doença? Esquecemo-nos várias vezes que São as que mais sofrem e lutam em silêncio para
se aceitar e amar... Será que conseguem?
É importante termos consciência que os obesos têm várias fragilidades anatómicas, fisiológicas e
metabólicas....Já parámos para pensar que também temos pontos fracos e vulnerabilidades em outros
aspetos da nossa vida?
Convido-vos a ler este este artigo e a desmistificar um pouco o conceito de obesidade, ao mesmo tempo
que aconselho a não o generalizar; cada realidade é uma realidade e noto que ainda há muito caminho a
percorrer ao nível da nossa consciência.
A Obesidade é uma doença Crónica, complexa e Multifatorial.
As causas da obesidade são complexas e podem envolver vários fatores que interagem entre si,
nomeadamente hábitos alimentares, atividade física, predisposição genética, alterações hormonais e
metabólicas, qualidade do sono, stress, fatores psicológicos, condições socioeconómicas e o ambiente
em que a pessoa vive.
Desta forma, quando ouvimos falar sobre este tema, torna-se fundamental perceber que não deve ser
encarado como consequência de falta de força de vontade ou de escolhas individuais.
Atualmente é um dos assuntos que mais se tem discutido, desenvolvido e preocupado a população em
geral, principalmente quem sofre da doença.
Paralelamente, o aparecimento de novos tratamentos farmacológicos Antiobesidade tem contribuído
para que este seja um assunto cada vez mais presente na comunicação social, redes sociais, partilhado
entre várias pessoas no dia-a-dia,...
Por isso, torna-se quase obrigatório filtrar alguma da informação com que somos altamente
bombardeados, de maneira a conseguirmos ser o mais humanos e justos quando nos confrontamos com
este tema.
Na verdade, a sua crescente prevalência tem um forte impacto na saúde, qualidade de vida e está
associada a um maior risco de Doenças cardiovasculares, Hipertensão arterial, Diabetes tipo 2,
Dislipidemias, problemas articulares, apneia do sono e até mesmo doenças oncológicas.
De forma Simplificada, a Obesidade caracteriza-se por uma acumulação excessiva de gordura corporal.
A sua Avaliação pode incluír o Índice de Massa Corporal (IMC), mas temos de ter em conta também a
interação dos fatores acima referidos.
IMC = peso (kg) ÷ altura² (m)
O IMC é uma ferramenta que mede a relação entre a altura e o peso.
Estes são os parâmetros:
Baixo Peso: IMC abaixo de 18,5 kg/m².
Peso Normal: IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m².
Excesso de Peso: IMC entre 25 e 29,9 kg/m².
Obesidade Classe I: IMC entre 30,0 e 34,9 kg/m².
Obesidade Classe II: IMC entre 35,0 e 39,9 kg/m².
Obesidade Classe III: IMC superior a 40 kg/m².
É importante salientar que existem várias formas de prevenir, melhorar e até reverter esta condição.
Exemplos de medidas a adotar:
- Melhorar hábitos alimentares, por isso, é importante o acompanhamento médico e nutricional;
- Prática regular de exercício físico, alternando "Cardio" com treino de "Força";
- Melhorar a qualidade de sono;
- Melhorar a gestão do stress, essencialmente devido à produção do cortisol que aumenta a acumulação
de gordura;
- Apoio psicológico, se houver descontrolo na ingestão calórica, compulsão alimentar e falta de
motivação;
- Tratamento farmacológico, quando não há perda de peso considerável mesmo a adotar as outras
medidas e para ajudar a otimizar a perda de peso;
- Cirurgia, geralmente em último recurso, quando as restantes medidas se tornam ineficazes ou
insuficientes.
Neste contexto, é importante salientar que devemos promover uma abordagem coerente e
abrangente deste tema, sem preconceitos, de forma a encontrar as melhores estratégias, sempre
adaptadas a cada pessoa.
Não se trata simplesmente de falta de força de vontade ou de ingestão calórica exagerada, porque
muitas vezes nem sequer é isso que acontece.
A sua avaliação pode incluir o Índice de Massa Corporal (IMC), embora este não seja, por si só, suficiente
para avaliar de forma completa a saúde ou a composição corporal de uma pessoa.
O IMC ...
não distingue massa muscular de massa gorda;
de uma pessoa com bastante músculo poderá ser elevado e ter uma percentagem de gordura saudável;
de duas pessoas podem ser o mesmo e uma delas ter muito mais gordura do que a outra;
não permite avaliar alterações na composição corporal ao longo de um processo de emagrecimento,
uma vez que a diminuição de peso e consequentemente, diminuição do IMC não permite saber se a
pessoa está a perder mais gordura do que músculo
O IMC é apenas um indicador.
É importante ter em conta:
- Peso
- Perímetro abdominal
- Percentagem de gordura
- Percentagem de massa muscular
- Percentagem de água corporal
- Parâmetros Clínicos
O mais importante é que, apesar da obesidade ser influenciado por muitos fatores, está sempre a tempo
de abraçar uma vida saudável, adquirindo hábitos que vão certamente fazer toda a diferença na sua
saúde e qualidade de vida.
É fundamental ter força de vontade e começar a adquirir quanto antes um estilo de vida saudável, que
vai com toda a certeza promover a longevidade.
Os hábitos saudáveis passam por adotar uma alimentação saudável, incentivar o exercício físico e
melhor gestão de stress.
Sugiro que faça pequenas alterações na sua alimentação :
- Iniciar as refeições principais, almoço e jantar, pelos legumes, seguindo-se a proteína e só no final os
Hidratos de carbono; desta forma, conseguimos ficar mais saciados e evitar picos de açúcar no sangue;
- Comer devagar para melhorar a digestão e aumentar a saciedade;
- Evitar saltar refeições;
- Aumentar o Consumo de proteínas na sua alimentação que aumentam a saciedade e ajudam a
preservar a massa muscular (ovos, peixe, carne, iogurte natural, queijo fresco, leguminosas, ...);
- Aumentar o consumo de vegetais frescos ou legumes cozidos, a acompanhar as refeições principais,
fontes de fibras que ajudam o trânsito intestinal a funcionar melhor e a diminuír a absorção do açúcar.
- Diminuír um pouco a ingestão de Hidratos de carbono e priveligiar os integrais e de melhor qualidade
(aveia, batata, cous-cous, noodles de arroz, arroz integral, quinoa, leguminosas, massa);
- Escolher gorduras saudáveis em pequenas quantidades (abacate, azeite, sementes, frutos secos);
- Incluír fruta diariamente mas evitar sumos de fruta e mais do que três peças por dia;
- Beber cerca de 1.5 litros de água fora das refeições;
- Evitar sumos naturais, sumos concentrados, refrigerantes, porque são extremamente ricos em açúcar;
- Evitar alimentos ultraprocessados (produtos de charcutaria, bolachas com recheio, ...), principalmente
os mais ricos em açúcar, gordura e sal.
Se sofre de OBESIDADE, o objetivo é fazer pequenas mudanças e não se privar totalmente de tudo o que
gosta e que lhe dá prazer.
O segredo está em fazer pequenos ajustes graduais, identificar alimentos e combinações mais
saudáveis e poderosas sob o ponto de vista nutricional.
Adquirir novos hábitos, um novo estilo de vida, sempre com um único propósito, saúde e
longevidade.
Na realidade, deve considerar-se a pessoa mais importante da sua vida e estar no centro da sua vida.
É urgente identificar o que pode trazer benefícios e o que pode prejudicar o seu organismo.
Foque-se na consistência, não ser escravo de dietas e não viver obcecado com o peso.
Reduzir o stress e a ansiedade pode revelar-se muito útil para reduzir os níveis de cortisol,
responsáveis pela acumulação de gordura.
Atingir o equilíbrio é a melhor ferramenta para viver com qualidade.
A abordagem deste tema deve ser feita de forma cuidadosa, responsável e firme...e é essencial ter
acompanhamento especializado e individualizado.
O objetivo é transformar os seus hábitos e alcançar resultados consistentes, seguros e duradouros,
sem dietas, sem "sacrifício", mas com responsabilidade e foco...Sabemos que não é fácil, mas também
não é impossível....
Como tudo na vida, precisamos de estar motivados e ter consciência que não há sentenças finais....
Tome as rédeas da sua vida e lembre- se que a sua história deve ser escrita apenas por si.
Paula Morais, Farmacêutica