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PERGUNTAS FREQUENTES

Emagrecimento e Queda de cabelo: Porque é que acontece?

Queda de cabelo depois de emagrecer: porque acontece?

Perder peso pode trazer benefícios importantes para a saúde, mas, em algumas pessoas, pode surgir um efeito inesperado alguns meses depois: uma queda de cabelo mais intensa e difusa.

Isto pode acontecer após uma perda de peso significativa, sobretudo quando é rápida, e tem frequentemente uma explicação: o eflúvio telógeno.

 

Da perda rápida de peso ao eflúvio telógenico

O cabelo passa naturalmente por diferentes fases de crescimento, repouso e queda. Quando o organismo atravessa um período de maior stress — uma doença, uma cirurgia, alterações hormonais, stress emocional intenso ou uma perda de peso acentuada — um número maior de folículos pode entrar antecipadamente na fase de repouso, chamada fase telógeno.

Algum tempo depois, esses fios começam a cair praticamente em simultâneo.

É por isso que o eflúvio telógeno nem sempre surge durante o período de emagrecimento. A queda torna-se frequentemente mais evidente dois a três meses depois do fator desencadeante, podendo assustar pela quantidade de cabelo encontrada no banho, na escova ou na almofada.


 

Normalmente, trata-se de uma queda difusa, sem zonas completamente sem cabelo e sem destruição do folículo. Quando a causa é corrigida, o ciclo capilar tende progressivamente a normalizar.

 

E os medicamentos para emagrecer?

Com a utilização crescente de medicamentos agonistas dos recetores GLP-1, como o Ozempic ® ou Wegovy ®, e de medicamentos agonistas duais GIP/GLP-1, como a Mounjaro ®, também têm aumentado os relatos de queda de cabelo durante o processo de emagrecimento.

 

Mas isso não significa necessariamente que estes medicamentos estejam diretamente a “atacar” o cabelo.

Uma das principais explicações apontadas é precisamente a perda de peso rápida e significativa que pode ocorrer durante o tratamento. Para o organismo, uma alteração metabólica desta dimensão pode funcionar como um fator de stress suficiente para desencadear um eflúvio telógeno.

Além disso, a redução do apetite pode levar algumas pessoas a comer bastante menos e, consequentemente, a ingerir quantidades insuficientes de proteína, vitaminas e minerais necessários ao crescimento normal do cabelo.

A relação entre estes medicamentos e a queda de cabelo continua a ser estudada, pelo que é importante avaliar cada situação individualmente e não suspender um tratamento prescrito sem falar previamente com o médico.

 

Quando emagrecer também significa comer menos nutrientes

O cabelo não é uma prioridade para o organismo quando faltam recursos.

Dietas muito restritivas, défices calóricos acentuados ou uma alimentação pouco variada podem dificultar a ingestão adequada de nutrientes importantes para o funcionamento do folículo capilar.

A proteína merece especial atenção. O cabelo é constituído essencialmente por queratina, uma proteína, e uma ingestão proteica insuficiente durante períodos prolongados pode contribuir para alterações do ciclo capilar.

Quando a alimentação não permite atingir um aporte adequado de proteína — algo que pode acontecer durante períodos de perda de peso — um suplemento proteico pode ser uma opção prática.

 

Também podem ser relevantes, dependendo de cada pessoa:

·       ferro e reservas de ferro, avaliadas através da ferritina;

·       vitamina B12;

·       vitamina D;

·       ácido fólico;

·       zinco;

·       outros nutrientes, de acordo com a alimentação, sintomas e história clínica.

Isto não significa, contudo, que todas as pessoas com queda de cabelo tenham uma deficiência nutricional — nem que seja necessário tomar todos estes nutrientes sob a forma de suplemento.

 

Ferritina, vitamina B12, vitamina D… devo fazer análises?

Quando a queda é intensa, persiste durante vários meses ou existem outros sintomas associados, pode ser importante perceber se, para além da perda de peso, existe algum fator que esteja a contribuir para o problema.

Consoante o contexto clínico, o médico poderá considerar a avaliação do hemograma, ferritina, vitamina B12, vitamina D, função tiroideia ou outros parâmetros.

Na Farmácia da Liga, estão disponíveis testes bioquímicos que permitem avaliar, em poucos minutos, alguns destes parâmetros, como a ferritina, a TSH (função tiroideia) e a vitamina D. Podem ser uma forma simples de obter uma primeira orientação e perceber se faz sentido procurar uma avaliação mais aprofundada.

A ferritina merece particular atenção porque reflete as reservas de ferro do organismo. Valores baixos são encontrados com alguma frequência em pessoas com eflúvio telógeno, embora a relação entre um determinado valor de ferritina e a queda de cabelo não seja igual para todas as pessoas.

O mesmo princípio se aplica à vitamina D, vitamina B12 ou zinco: devem ser corrigidas deficiências quando elas existem, em vez de assumir que doses elevadas de vitaminas e minerais vão acelerar automaticamente o crescimento do cabelo.

 

Suplementar? Sim, mas com critério

Quando existe um défice identificado ou uma alimentação insuficiente, a suplementação pode fazer parte da estratégia de recuperação.

 


O objetivo deve ser corrigir aquilo que está realmente em falta e garantir uma alimentação suficientemente completa, com especial atenção à ingestão de proteína e à variedade alimentar.

Tomar vários suplementos “para o cabelo” sem perceber primeiro a causa da queda nem sempre traz benefício. Alguns nutrientes, quando utilizados desnecessariamente ou em doses excessivas, também podem causar problemas.

Mesmo a popular biotina não é uma solução universal: a sua deficiência é relativamente rara e a suplementação em doses elevadas pode interferir com determinados resultados de análises laboratoriais.

 

E os cuidados capilares?

Nenhum champô consegue, sozinho, interromper um eflúvio telógeno provocado por uma alteração interna do organismo. Ainda assim, enquanto o cabelo recupera, vale a pena reduzir agressões adicionais.

 

Prefira cuidados suaves, evite penteados muito apertados e tenha especial atenção ao excesso de calor, descoloração ou outros procedimentos químicos que possam aumentar a quebra de fios já fragilizados.


Produtos adequados ao couro cabeludo e à fibra capilar podem ajudar a manter o cabelo em melhores condições enquanto o ciclo de crescimento se normaliza.


 

A boa notícia: na maioria dos casos, o cabelo volta a crescer

O eflúvio telógeno provocado por um fator temporário é, na maioria das situações, reversível.

Depois de o organismo recuperar e o fator desencadeante desaparecer, a queda tende a diminuir progressivamente. Recuperar a densidade anterior demora mais tempo, porque o cabelo precisa de voltar a entrar na fase de crescimento e crescer novamente — um processo que pode levar vários meses.

Se emagreceu recentemente e começou a notar uma queda de cabelo fora do habitual, não assuma imediatamente que precisa de um suplemento.

Fale connosco na Farmácia da Liga. Podemos ajudar a avaliar possíveis fatores associados à queda, rever a sua alimentação e suplementação, aconselhar os cuidados capilares mais adequados e perceber quando faz sentido procurar avaliação médica ou realizar análises.

Porque cuidar do cabelo também começa por perceber o que está a acontecer por dentro.

 

Brígida Neves, Técnica de Farmácia

 

Emagrecimento e Queda de cabelo: Porque é que acontece?
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