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PERGUNTAS FREQUENTES

Carência de Vitamina D: Porque existe uma taxa tão alta em Portugal?

É uma excelente pergunta. À primeira vista parece um paradoxo: Portugal é um país com muito sol, mas a deficiência de vitamina D é extremamente frequente. Dependendo do estudo, 50–80% dos portugueses apresentam níveis insuficientes, especialmente no inverno, e uma proporção significativa mantém défice mesmo no verão. 

 

A explicação resulta da conjugação de vários fatores. 

 

1. Não basta viver num país com sol 

A vitamina D é produzida na pele quando esta é exposta à radiação UVB. Mas hoje em dia passamos grande parte do tempo: 

  • dentro de casa;  
  • em escritórios;  
  • em escolas;  
  • em automóveis.  

Uma pessoa pode viver em Faro e, mesmo assim, apanhar menos sol do que um agricultor na Noruega. 

 

 

 

2. Horários de trabalho 

Em Portugal, muita gente trabalha precisamente nas horas em que existe radiação UVB suficiente. 

Por exemplo: 

  • entra às 9h;  
  • sai às 18h ou 19h.  

No inverno, praticamente não vê sol útil durante os dias de trabalho. 

No teu caso, por exemplo, trabalhas muitas vezes das 13h às 22h, o que limita bastante a exposição solar espontânea, sobretudo durante parte do ano. 

 

3. Usamos roupa durante quase todo o ano 

Mesmo no verão: 

  • mangas;  
  • calças;  
  • roupa profissional;  
  • chapéus.  

Quanto menor for a área de pele exposta, menor será a produção. 

 

4. O protetor solar funciona 

Existe um mito de que o protetor solar "provoca défice de vitamina D". 

Na prática: 

  • em condições laboratoriais, um FPS 30 pode reduzir quase totalmente a passagem de UVB;  
  • na vida real, as pessoas aplicam pouca quantidade, esquecem zonas da pele, transpiram ou reaplicam pouco.  

Os estudos mostram que o uso correto de protetor solar raramente é o principal responsável pela deficiência. O verdadeiro problema costuma ser a pouca exposição solar. 

 

5. A alimentação portuguesa é pobre em vitamina D 

Muito poucos alimentos contêm quantidades relevantes: 

  • peixes gordos (salmão, sardinha, cavala);  
  • óleo de fígado de bacalhau;  
  • gema de ovo;  
  • alguns cogumelos expostos a UV.  

Ao contrário dos Estados Unidos, Canadá ou países nórdicos, Portugal fortifica muito poucos alimentos com vitamina D. 

 

6. A obesidade 

Este é um dos fatores mais importantes. 

A vitamina D é lipossolúvel, ficando parcialmente "retida" no tecido adiposo. 

Isso significa que pessoas com obesidade: 

  • produzem vitamina D;  
  • mas uma parte significativa fica sequestrada na gordura corporal;  
  • acabando por circular menos vitamina D no sangue.  

Por isso, pessoas com obesidade necessitam frequentemente de doses superiores de suplementação. 

 

7. Envelhecimento 

Com a idade, a pele perde capacidade para produzir vitamina D. 

Uma pessoa de 70 anos pode produzir apenas cerca de 25–30% da vitamina D que uma pessoa jovem produz com a mesma exposição solar. 

 

8. Pele mais escura 

A melanina funciona como um filtro natural dos UVB. 

Assim: 

  • pessoas de pele mais escura necessitam de mais tempo de exposição solar para produzir a mesma quantidade de vitamina D.  

 

9. Latitude e estação do ano 

Embora Portugal tenha muito sol, durante vários meses do ano o ângulo do sol reduz bastante a radiação UVB. 

Entre novembro e fevereiro, sobretudo no norte do país, a produção cutânea pode ser muito reduzida. 

 

Porque é que o problema parece ter aumentado nas últimas décadas? 

Provavelmente devido a uma combinação de fatores: 

  • mais trabalho em espaços fechados;  
  • maior urbanização;  
  • menos atividade ao ar livre;  
  • aumento da obesidade;  
  • envelhecimento da população;  
  • maior utilização de proteção solar (embora este tenha um impacto menor do que muitas pessoas imaginam).  

 

Faz sentido fazer suplementação "às cegas"? 

Nem sempre. 

Em pessoas saudáveis, sem fatores de risco, muitos especialistas preferem avaliar primeiro a probabilidade de défice. 

Mas há grupos em que a suplementação é frequentemente considerada, sobretudo se a exposição solar for limitada: 

  • idosos;  
  • pessoas institucionalizadas;  
  • indivíduos com obesidade;  
  • pessoas com osteoporose;  
  • doentes com síndromes de má absorção intestinal;  
  • pessoas com pele muito escura que vivem em latitudes elevadas.  

 

 

Um dado curioso 

Mesmo em países muito mais a norte, como a Noruega ou a Finlândia, a deficiência de vitamina D pode ser menos frequente do que em Portugal. Isso acontece porque esses países adotaram estratégias de saúde pública, como a fortificação de alimentos (por exemplo, leite e margarinas), além de uma maior consciencialização para a suplementação durante o inverno. 

É um bom exemplo de como ter muito sol disponível não garante níveis adequados de vitamina D: os hábitos de vida e a alimentação acabam por ter um papel decisivo. 

 Se tem dúvidas sobre se os seus níveis de vitamina D estão dentro dos valores adequados, pode fazer uma avaliação na sua farmácia. Na Farmácia da Liga, temos ao seu dispor testes rápidos que permitem determinar os níveis de vitamina D e que podem constituir uma boa orientação inicial para perceber se poderá fazer sentido recorrer à suplementação ou procurar aconselhamento médico.

 

Brígida Neves, Técnica de Farmácia

 

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